Leonor Teles (1350?-1410?), mulher do rei D. Fernando, foi rainha consorte de Portugal entre 1372 e 1383 e regente entre outubro de 1383 e janeiro de 1384. Mulher política, participou ao lado do marido no governo do reino, outorgando diplomas de privilégio à nobreza e negociando a sucessão do trono nos diversos tratados de casamento que os dois conceberam para a única filha sobreviva, a infanta D. Beatriz.
Leonor Teles terá sido uma mulher «mui inteira e de
coração cavaleiresco», por ser corajosa, frontal e
determinada, qualidades que, para a época, se
considerava serem de natureza masculina.
Foi uma mulher bela e sedutora, a ponto de as mulheres
do seu tempo aprenderem com ela novos jeitos a ter com
os maridos. Segundo o cronista Fernão Lopes, Leonor era
uma mulher de maus costumes por ter casado com o rei,
apesar de já ser casada, e por ter arranjado um amante,
sendo D. Fernando vivo.
O cronista e a história não lhe perdoaram e fizeram dela o
mito da mulher má, capaz de matar a irmã, exilar os
cunhados, preparar ciladas, tudo para servir a sua maior
ambição: a luta pelo poder, o poder de ser rainha de
Portugal.
Nos seus prováveis sessenta anos de vida, Leonor teve
dois, se não três, casamentos, vários filhos, uma clientela
de agraciados, um reino que perdeu e um exílio que a fez
ir morrer a Castela, terra originária dos seus antepassados
- os Teles de Meneses.