Houve um tempo em que a terra era tudo. Ou quase. Hoje, diz-se, vale pouco, quase nada. Muitos são os portugueses com
ligações à «terrinha», que de lá saíram mudando o rumo das vidas. E vão regressando, em passagens breves que alimentam
memórias, mas pouco adubam raízes. As novas gerações, que não viveram na «terrinha» dos seus ascendentes, terão dela
lembranças de superfície.
Este romance, centrado numa mulher tipicamente citadina dessas novas gerações, coloca em confronto o mundo rural e o
mundo urbano. E a propósito de batatas, das «nossas», que os pais todos os anos trazem da aldeia de infância, desfia a distância
entre o «seu» mundo e esse «outro». Julgando ter a aldeia de Arrô arrumada no passado, uma inesperada herança leva-a a
mudar a forma como olha para o pai e a mãe, que lhe pareciam de lá em pequena parcela; a avó, uma quase estranha; o avô, que
nunca viu, «morreu cedo». E tanto se altera, por causa de tão poucos metros quadrados!
«A alegria e a comovente ternura na avaliação da vida e da morte, associadas a uma escrita fluida e elegante, dão a este romance
um indiscutível alcance literário, que importa valorizar e divulgar», realçou o júri do Prémio Revelação Agustina Bessa-Luís.