Viagem e literatura andam de mãos dadas desde a origem dos tempos. O desejo de contar histórias do que se viu, daquilo que se testemunhou ou experimentou no mundo desconhecido, o desejo de deixar os outros suspensos de uma narrativa, sempre animou o caçador ou o nómada que ao cair da noite regressa à tribo e ao círculo mágico, íntimo, de uma fogueira. Ao longo do tempo, a extensão ou o meio de deslocação variaram, mas a história do viajante nem por isso deixou de ter a pulsar dentro de si o coração da reportagem. Viajantes foram Ulisses ou Marco Polo, Fernão Mendes Pinto ou Robinson Crusoe cujos relatos vindos da lonjura do tempo chegaram até nós.
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A viagem de Lisboa a Saigão é a cartografia íntima da solidão. Da solidão como condição da viagem, mas também condição da escrita. Da viagem interior que é toda a escrita. Da solidão da autora em trânsito pelo mundo, enfrentando o desconhecido na companhia apenas das suas personagens (…).