Sócrates é muitas vezes qualificado como o «Pai da Filosofia».
Não sendo o seu fundador, é, pelo menos, o primeiro a desviar-se do estudo da natureza e a insistir que a reflexão filosófica se interesse, exclusivamente, pelos «assuntos humanos».
Por este estatuto e pelo facto de Sócrates não ter deixado nada de escrito, durante muito tempo procurou-se nas obras de Platão, Xenofonte, Aristófanes ou ainda na de Aristóteles, o traço do verdadeiro Sócrates: o Sócrates histórico.
No entanto, cada um destes «testemunhos» oferece-nos uma figura e um pensamento diferente do filósofo.
Expondo e explicando a diversidade dos retratos, a multiplicidade dos modelos que lhe são atribuídos, esta obra demonstra como os discípulos e os contemporâneos de Sócrates se apropriaram, muitas vezes para se tornarem os porta-vozes da sua doutrina, da figura do primeiro mártir da história da filosofia.