Charles Bukowski foi um dos mais iconoclastas autores do
século XX, e os seus poemas, contos e ficções deixaram uma
marca indelével na cultura contemporânea. Nesta coletânea de
correspondência — cartas a editores, tradutores, críticos e
outros escritores, como Henry Miller ou Lawrence Ferlinghetti
—, ganhamos um precioso vislumbre sobre o Bukowski para lá
da lenda: o artista que concebe o seu edifício literário, o escritor
obsessivamente dedicado ao seu ofício, o homem preocupado
com o estado do mundo no pós-guerra.
Conhecemos também a bagagem de leituras de Bukowski,
assim como os seus ódios literários de estimação — a geração
Beat, Hemingway e até Shakespeare — e aqueles que
considerava seus mestres — Dostoiévski, Knut Hamsun, Céline
ou John Fante.
O volume inédito, que abre em 1945 e fecha poucos meses
antes da sua morte, em 1993, é um compêndio de reflexões
sagazes, farpas afiadas e tiradas memoráveis de um dos
grandes ícones da contracultura americana, que retratou como
ninguém os devassos e os oprimidos. Um documento
extraordinário sobre a arte da escrita.