«A decepção, a desilusão, o olhar criticamente retrospectivo, são fenómenos que estão sempre no caminho de qualquer luta política, mormente de qualquer intelectual politicamente engajado. Luzia Moniz se fez indubitavelmente intelectual da, e na revolução, forjou-se nela, construiu-se politicamente nela. Pelo que, como antiga intelectual orgânica do MPLA, pode hoje falar com propriedade do que foi mal feito no que diz respeito à sua terra natal. E dizê-lo com as palavras de quem deu o melhor de si, e, portanto, angariou o suficiente de legitimidade histórica para poder expressar as suas decepções para com o processo político em que se fez adulta, e se dignificou como legítima filha da terra natal. Ela acumulou de facto, nesse percurso, o suficiente de conhecimentos da máquina política que a formou e a moldou, para falar com propriedade e de cabeça erguida.»
«Regresso à realidade pura e dura: o sonho de igualdade ainda está por se cumprir. Isto implica outras lutas sem dúvida, para as quais a autora não esconde que está pronta.»
Jean-Michel Mabeko-Tali
in Prefácio