A obra dramática de William Shakespeare foi lida, representada, citada, traduzida e discutida pela intelectualidade portuguesa ao longo do século XIX. Presente no original, em versões francesas e italianas (incluindo diversas óperas) e em traduções e adaptações portuguesas, a obra shakespeariana tornou-se uma peça-chave nos debates que foram construindo uma ideia de literatura que se queria moderna, portuguesa e romântica.
Apoiado em vasta pesquisa documental, reflectida num apêndice que reproduz mais de vinte textos da época, o presente estudo examina este caso particular das relações literárias de Portugal com países como a Inglaterra e a França, considerando de modo especialmente atento a percepção que do autor isabelino era veiculada pela imprensa periódica e a opinião crítica de intelectuais como Garrett, Castilho, Rebelo da Silva, Lopes de Mendonça, Latino Coelho, Mendes Leal, Pinheiro Chagas e Camilo Castelo Branco.