«Dediquei a minha vida a ajudar os outros, mas não pude ir-me embora deste mundo sem deixar-me ajudar por eles. Deixar-se ajudar pressupõe um nível espiritual muito superior ao do simples ajudar. Porque, se ajudar os outros é bom, melhor é ser ocasião para que os outros nos ajudem. Sim, o mais difícil deste mundo é aprender a ser necessitado» (África Sendino). Durante a sua doença, a doutora África Sendino foi anotando as suas impressões para um livro que a sua doença lhe impediu de escrever. Pablo d’Ors, que a assistiu nos seus últimos meses de vida, resgata essas anotações e contextualiza-as numa vida que não tem dúvida de classificar como exemplar. «Sendino está a morrer não é, certamente, o que ela escreveu, mas o que eu vivi ao seu lado enquanto ela tentou escrever. Mas contém - tenho a certeza - boa parte do que Sendino quis transmitir no seu projetado livro e, sobretudo, do que ela realmente era e vivia.»