FICAVAS NA CHINA?
Valério Romão deu o pequeno salto entre Macau e a agora gigantesca Zhuhai — mas a ideia era ir a Chengdu passando por Guilin. A viagem fez-se e termina evocando «a doce troca de idiomas e de memórias», mas ir à China não é atravessar um pequeno rio ou declarar a paixão pelo exotismo.
A ERA DO VAZIO REGRESSA COMO UMA AMEAÇA.
Mais de 40 anos depois de A Era do Vazio, Gilles Lipovetsky continua atento aos fenómenos atuais e está prestes a publicar um livro de 400 páginas sobre o papel da educação no recrudescer da inteligência artificial. É muito claro sobre a matéria: «A leitura está em crise. Não é a linguagem que está em crise. É a leitura.»
Entrevista de Isabel Lucas.
APRENDER A MANTER A CALMA NUM MUNDO SEM LIVROS.
Para André Canhoto Costa, a grande ambição do «rico já não passa por entrar no reino dos céus, mas por enviar foguetões a Marte, isto quando não passa simplesmente por ser fotografado em orgias de carros de luxo e corpos desnudos.» Mesmo assim, «para levar a cabo essa tarefa, talvez precisemos mais das Humanidades do que da Inteligência Artificial».
STEM PARA QUE VOS QUERO.
Para Onésimo Teotónio Almeida, é preciso questionar a ideia de que «o conhecimento é científico e que só contam por isso as ciências — as captadas no acrónimo STEM (Science, Technology, Engineering and Mathematics)». Mais: «Apenas um reduzido domínio da vida humana cai sob a alçada da ciência. Até as chamadas ciências humanas por vezes tombam mais para o lado das Humanidades do que para o das ciências naturais.»
A CABEÇA VOADORA DE SÃO JOÃO BAPTISTA.
Um dos textos mais peculiares da literatura não-canónica cristã relata como a cabeça de São João Batista se vingou do rei Herodes, anunciando o seu pecado aos sete ventos, enquanto sobrevoava o mundo. Rita Cipriano lê um dos episódios mais marcantes.
«Quem tem medo de Tom Stoppard?», que pergunta tremenda. Stoppard (que morreu a 29 de novembro de 2025) é um antiutópico por excelência; ele sabe que os sonhos sempre levam ao pesadelo da razão totalitária, mas também não devemos confundi-lo como um cético que acredita no caos como a regra geral da existência. Martim Vasques da Cunha explica porquê.
EDUARDO GUERRA CARNEIRO.
«Pode ser um poeta frágil, menor, mas sentiríamos como um verdadeiro prejuízo termos de nos separar dos seus versos, e um ainda maior o não termos alguma vez podido descobrir esta poesia, que estranhamente parece interpelar-nos sempre num desses momentos em que os poetas maiores parecem incapazes de nos socorrer.»
Texto de Diogo Vaz Pinto.