A APEM tem cumprido a sua missão através da realização de projetos de natureza variada (de
produção e de difusão de conhecimento) e, em especial, através da publicação da ex æquo.
Não tem sido fácil viver bem estes vinte e cinco anos e, como tem sido sublinhado em
anteriores editoriais, é cada vez mais difícil a sobrevivência da ex æquo no contexto da
academia cada vez mais neoliberal e menos humanista.
A APEM vive nas nossas vidas há um quarto de século e os movimentos feministas e de defesa
dos direitos das mulheres há muito mais tempo. É por isso incompreensível que ainda hoje se
justifique ter como tema central deste número o Femicídio. Os textos reunidos revelam-nos a
vulnerabilidade das mulheres e meninas, que, nas mais diversas regiões do globo, continuam
a ver as suas vidas decepadas às mãos de valores patriarcais, disfarcem-se estes de religiosos,
culturais ou outros. Os mecanismos legislativos não estão a ser suficientes para desenraizar as
raízes da opressão que mata pessoas, só por serem mulheres.