A leitura do texto publicitário, aqui dirigida à representação do corpo feminino, confronta-nos com a mesma perplexidade de sempre: por um lado, a inegável força de criatividade e sedução desta linguagem faz-nos supor uma ousadia de intenção que, no entanto, logo se desvanece, pois, por outro lado, o corpo representado apresenta-se como força domesticada e socialmente previsível.
Assim, ao fulgor inicial que a imagem publicitária suscita, sucede-se o vazio da repetição incessante.
O retrato deste corpo que atravessa o estudo de Silvana Mota-Ribeiro deixa-nos no limiar de uma promessa de leveza, harmonia e singularidade. Desígnio de um corpo outro, tantas vezes entrevisto na publicidade, mas que permanece à procura da sua linguagem própria.
Carolina Leite