A jovem Lilly, assustada, mão bem agarrada à da mãe, chegava à Madeira. Julho de 1940. Era uma refugiada de guerra como todos os outros que com ela viajaram desde Gibraltar. Os bombardeamentos, a 2.ª Guerra Mundial, obrigaram-nos a abandonar a sua terra. A Madeira estava então estagnada. Sem turistas, sem poder exportar os vinhos, os bordados, os vimes, tornou-se uma terra muito pobre. Desemprego, fome, muita tristeza.
A vinda dos gibraltinos trouxe uma reviravolta. Reabriram-se os hotéis, restaurantes, esplanadas, salões de baile. Ao Funchal voltou a alegria. Mas foram difíceis os primeiros tempos no Funchal. Um choque de culturas. A sociedade local, fechada e conservadora, não aceitou bem os hábitos das senhoras gibraltinas. Os corpos mais despidos, os cabelos com cortes curtos, as idas ao Lido...
Tudo considerado pelas senhoras da terra como más influências para as meninas madeirenses. Mas tudo se compôs. Com algum sofrimento e cedências de um lado e do outro. As refugiadas acabaram por se ambientar e até por gostar de viver na ilha. Lilly fez amizades, encontrou uma paixão impossível e um amor enorme que transformou a sua vida. Deslumbrou-se pela Madeira, fez do Funchal a sua terra. Mas derramou muitas lágrimas.