Afinal o que nós queríamos, como quem procura o Graal, era um vinho que se perdesse na boca e não quisesse mais fugir de lá. Depois e em
cumplicidade, que deixasse escapar, bem lá para os confins do nariz, os aromas florais das rosas, como se ali fosse o seu canteiro.
Naquele fim de boca, que acaba por sobrepor-se a tudo, esse perfume havia de dançar em segredo, abraçado ao imaginário da história da
Quinta das Rosas. Como se fosse uma assinatura que não se desprende dos dedos.
Era preciso que o eleito-bebedor começasse por ficar admirado, surpreendido, mas no momento seguinte sentisse que havia ali um romance
de amor entre o vinho e a rosa. E que ao beber o nosso vinho, o prazer não fosse apenas localizado na boca, no nariz, na língua ou no olhar,
mas que escorresse lento pelo corpo inteiro. E já no fim, de olhos fechados e completamente perdido, ainda tivesse vontade de confessar,
mas sem arrependimento:
- Encontrei a alma do vinho!
Sim... Porque este vinho tem alma e a sua alma é feita dos vapores do Universo. E ao céu, chega-se com este prazer e não pela via da dor.