Por conveniência expositiva, este estudo procedeu à análise de dados referentes à
situação económica e social em Inglaterra, ao Renascimento e à Reforma, à
Revolução Intelectual e Científica seiscentista e respectivas consequências na
formulação de um novo paradigma de organização política, baseado nos direitos
naturais do Homem e no conceito de contrato. Foi neste período tumultuoso de
dois séculos que nasceram as bases dos regimes democráticos representativos hoje
vigentes, assentes no direito individual à propriedade e à representação - limitada
- em órgãos políticos, tal como na liberdade de pensamento e de expressão,
decorrente da proposta crucial de Locke de separar as esferas de influência do
Estado e da Igreja. O período assistiu ainda ao lançamento das bases do
experimentalismo científico, só possível pelo afastamento da tutela teológica sobre
a liberdade de investigar, e que também contribuiu a seu modo para a crescente
secularização da sociedade inglesa, bem patente a partir da década de 1690 com o
florescimento do deísmo no âmbito da Igreja de Inglaterra. Por tudo isto, realce-se
uma vez mais que qualquer fenómeno é resultante de um feixe de contributos ou
influências, que agem e reagem mutuamente de forma imprevisível, cabendo ao
estudioso de cultura tentar identificar e revelar os factores que terão
desempenhado um papel de maior relevo, para além de apontar outros de ordem
diversa.