Uma selecção de poemas portugueses para a juventude por Eugénio de Andrade, que também prefacia este livro. E se o sucesso da sua "Antologia de Poesia Portuguesa" foi enorme, esta antologia de poemas está já a marcar lugar nos tops de vendas. Haverá uma poesia que possamos dizer que é mais apropriada para a juventude. Eugénio afirma no seu prefácio que não. Mas não pôde deixar de fazer esta antologia porque lhe foi solicitada por um amigo. E isso é uma coisa que Eugénio não sabe recusar. E fala da sua própria experiência, de como aos seis anos lhe foi parar às mãos o "Hino do Amor", de João de Deus, que nunca mais esqueceu. Ou, aos doze, "o Junqueiro mais incendiário". Recusando a "infantilização" na escolha, Eugénio partiu do "mais simples para o mais complexo". A antologia vai da poesia dos Cancioneiros até à geração de 60 (os poetas mais novos que incluiu são Fiama, Luísa Neto Jorge e Fernando Assis Pacheco. Tem também poemas de Ruy Belo ou Herberto Helder). São poemas e poetas que o autor de "Os Amantes sem Dinheiro" considera mais representativos ao longo de vários séculos de poesia portuguesa, que Eugénio, na nota introdutória, define assim:
" Há na poesia portuguesa, desde a sua origem à actualidade, uma linha aérea, leve (e ao escrever esta palavras não posso deixar de lembrar o alto conceito em que Goethe tinha a leveza), onde o ritmo da fala e a limpidez do olhar se fundem para criarem a música mais insinuante de toda a nossa lírica. Neste livrinho, destinado aos jovens, procurei preferencialmente essa linha, desde Sedia la fremosa seu sirgo torcendo, de Estevam Coelho, até Vão vagos pela estrada, de Fernando Pessoa. Uma tal música, que imediatamente cativa o leitor, começa nos cancioneiros da Idade Média, passa pelos melhores romances tradicionais, atravessa toda a obra de Gil Vicente, prossegue em Bernardim e muito de Camões, e não pára de subir em Pascoaes, Pessanha e Pessoa.
"Evidentemente que há outra linha, de não menor importância, meditativa, discursiva, de respiração mais ampla, mas talvez menos inspirada (se nos for permitida palavra tão duvidosa). Claro que os nomes de Sá de Miranda, Antero, Cesário e Jorge de Sena, além de alguns dos anteriormente citados, nos ocorrem de imediato. Poetas da Literatura, lhes chamou Pascoaes, enquanto os primeiros seriam os da nossa Alma (as maiúsculas são também dele, naturalmente). Mas a verdade é que, em alguns poetas, as águas são difíceis, ou impossíveis, de separar. Contudo, foi àquela poesia que parece escrita em estado de graça, que dei preferência, por se destinar a jovens, volto a dizê-lo."
"Estes poemas servem ou devem servir como 'iniciação' ao gosto pela poesia, podendo inclusive, para esse efeito, serem usados nas escolas."
JL / Educação