Ao longo de todo o percurso histórico da literatura portuguesa, as antologias foram um dos mais importantes veículos de fixação de autores, formas poéticas específicas, movimentos literários procurando apresentar-se ao público ou exprimir-se polemicamente em contraponto a outras propostas.
Desde os primeiros cancioneiros às mais recentes antologias em que se procurou apresentar o essencial da poesia portuguesa, por vezes em interacção com outras artes, o género antológico foi escolhido consistentemente por alguns dos mais relevantes cultores da poesia em língua portuguesa como espaço fundamental para a conservação da memória, a afirmação crítica da proeminência de certos autores e textos, o ensaio de plataformas de encontro entre autores de um determinado momento ou a denúncia dos mecanismos consagrados de apresentação cronológica da história literária, através da edificação de visões trans-históricas dos vasos comunicantes mantidos entre autores de tempos diversos.