É extraordinário que me caiba, hoje, o privilégio de escrever sobre
um livro que descreve com tanta crueza e fidelidade os sentimentos e a
realidade que me competiam, a mim, tentar reverter. Luís escreve, pelo
avesso, a crônica de minha desventura, que culminaria com a derrota
política. Entretanto, identificou, com a argúcia do cientista social e a
astúcia do viajante, as razões pelas quais são tão difíceis as reformas,
do lado de cá dos trópicos. Luís deu-se conta - e disso presta contas,
neste seu livro-testemunho - de que insegurança não é mera construção
dos media (ainda que se realimente em sua voracidade mórbida), nem
simples reflexo de desigualdades e preconceitos (ainda que as reproduza
e delas se alimente). Deu-se conta de que a construção de um convívio
social menos distante do Brasil idealizado (cordial, fraterno, acolhedor,
livre, crítico, solidário) exigirá mudanças bem mais profundas, às quais
não serão indiferentes a consciência de sua necessidade e a crítica à
cultura corrente. Para ambas, consciência e crítica, este livro oferece
significativa contribuição.
«Luis Eduardo Soares »
Indice
PREFÁCIO
INTRODUÇÃO: AS FÉRIAS DO ETNÓGRAFO
A TIRANIA DO RUMOR
O ESPAÇO PREDATÓRIO
Sair de casa
O pequeno predador
NOTÍCIA DAS NOTÍCIAS
A BALA
O ESPAÇO PREDATÓRIO - 2
BOCAS-DE-FUMO
Mega - operação nos morros
Os ninjas da rua do Luís
O silêncio é de ouro
A DESOVA
NOTÍCIA DAS NOTÍCIAS - 2
A METRALHADORA
OS POLÍCIAS NOSSOS AMIGOS
POR TERRA, POR MAR, PELO AR
OS POLÍCIAS NOSSOS AMIGOS - 2
O tiro no chefe
POR TERRA, PELO AR
TEIAS DE ARANHA
A BALA, A BELA, A BOLA
NOTA FINAL
«E SE UM DESCONHECIDO, DE REPENTE, LHE OFERECESSE FLORES?»
POSFÁCIO