«A perspetiva que aqui se expõe é, pois, fundamentalmente, a de um espetador comprometido e apaixonado com o grande espetáculo da humanidade. Não a de um ator que tivesse interagido efetivamente com a sua circunstância e aprendido mediante a avaliação de tentativas e erros próprios. Não estive na linha da frente. de todo o modo, o movimento anticapitalista global está ainda numa fase de formação e de definições elementares. o que aprendi, devo-o unicamente ao estudo e à reflexão, em grande medida solitária, sobre a experiência passada (aí incluída a mais recente) dos movimentos de resistência e emancipação das grandes massas laboriosas e conviventes. a história das suas lutas contra constantes agressões crematísticas que lhes são dirigidas já vem muito de trás. Muito para lá de Marx e do movimento operário, esses nossos contemporâneos. Ganhar-se-á, porventura, alguma coisa em tomar consciência plena disso. a sucessão dessas lutas é também, assim o espero, uma progressão contínua na sua autoconsciência. Até que luta, consciência e libertação se tornem, por fim, um único gesto contemporâneo a si próprio.»
A. N.