Os Pássaros de Banguecoque é o mais complexo romance da obra de Carvalho. Três histórias criam situações e personagens que se unem para formar um todo onde cada peça se encaixa na perfeição. As duas primeiras decorrem em Barcelona. Uma delas trata da investigação do detetive sobre um roubo familiar a um empresário. A outra centra-se no assassinato de uma jovem mulher; aqui, Carvalho age por conta própria para lidar melhor com a atmosfera opressiva em que decorrem as vidas de Celia Mataix, assassinada com uma garrafa de champanhe, e da sua assassina, Marta Miguel, uma mulher independente vinda de uma aldeia em Salamanca.
A terceira história começa com o caso que o leva à Tailândia: Teresa Marsé, amiga de Pepe Carvalho, desapareceu do outro lado do mundo. A princípio, o detetive hesita e recusa-se a aceitar o caso. Há implicações que vão além do puramente profissional. No entanto, o desejo de escapar da monotonia e da melancolia que ameaçam dominá-lo levam-no, pela segunda vez na vida, a visitar o país asiático.
Como nos maiores romances, o círculo acabará por fechar-se. Tudo fará sentido quando chegamos às páginas finais. Para que isso aconteça, Carvalho regressa a Barcelona, a cidade da qual fugiu (porque o que ele fez foi realmente uma fuga completa). Ou talvez o verdadeiro motivo da viagem seja descobrir o nome dos pássaros de Banguecoque, ou confirmar que a Terra é redonda e que o verdadeiro desfecho o aguarda no regresso.