Os textos são em grande medida consideráveis como extremos, ou extremados. Há excesso no texto. na verdade, os contos foram escritos sob o signo do excesso - as epígrafes, as listas, a contaminação por referências reais. São textos que se inspiram na sobrecarga sensorial do free-jazz, ou na pintura de Pollock ou de Bacon. Quero os textos sobrecarregados com zonas de sombra e com pontos de distorção. As referências presentes nos textos não são sinal de pretensiosismo, mas do mais puro sentimentalismo.
Os textos são exercícios de homenagens e tributos a figuras e fenómenos reais, que entram na narrativa como gritos, como obsessões. Como sintomas abissais da memória, que não desfiguram a ficção, antes a fortalecem. Esses contos são objectos do mato. Podem desencadear reacções opostas, e é preciso estar preparado para isso. São objectos extremos que não devem tolerar a indiferença. São o ruído contra a literatura burguesa de cabeceira.