O teatro de Deus é o movimento do / mundo - e todos nesse livro vão / inscrevendo um só poema sem fim.
[Luís Pedro Cruz e Rui Casal Ribeiro]
No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. De modo diverso terminarei este breve apontamento. Sempre quis escrever sobre desenhos de Luís Pedro Cruz. A única tentativa para tal surgiu por volta do ano primeiro da década de oitenta do século passado; e que os caminhos e descaminhos da vida - e nós próprios - não deixaram acontecer: teríamos então cerca de 21 anos. E esse instante por lá ficou, preso na cela desse espaço e desse tempo cuja porta decidimos agora abrir, num desejo adormecido que atravessou já quarenta anos do nosso tempo.
(…) É certo que no caso do presente livro foi justamente o desenho o que primeiro apareceu e só depois a palavra - um só desenho de Luís Pedro Cruz. E, por isso mesmo, como dito no início e para que este texto tenha um fim, termino de forma diversa de como o iniciei. E então apetece dizer: no princípio era o desenho, e o desenho estava com ele, e o desenho era ele - e depois foi tudo.