No concelho de Nisa, embora diferentes no desenho urbano, temos o Centro Histórico de Nisa e a zona antiga de Montalvão que correspondem a estruturas urbanas planeadas de origem medieval. A primeira, mais compostinha, fecha-se sobre si própria dentro da muralha que a cerca; a segunda, mais solta, dialoga com a paisagem e, lá no alto, é vista de longe. No meu caso, a relação com estes lugares é de há muito e, por Montalvão, terra esquecida junto ao Tejo, já fora das luzes da ribalta, há um carinho especial. e por isso mesmo, o a(r)riscar que já passou por outros sítios, desta vez aterrou em Montalvão.
Daí este livro, o A(r)riscar em Montalvão, com uma história que vale a pena contar. Aqui, à semelhança do que se passou quando a minha vontade foi olhar para Castelo de Vide ou para Póvoa e Meadas, desenho e texto andam de mãos dadas e assim se percorrem ruas até se ter palmilhado a terra. Pelo meio olha-se e fala-se dela, cria-se um espaço de partilha aberto a todos os que se disponham a ingressar nesta viagem. em Montalvão, o que nos atrai no espaço urbano é haver um Plano original, com regras bem definidas, que acaba por condicionar as transformações que se seguem.
O resultado é um livro aberto onde, ao longo das páginas, vamos saltitando entre tempos - o antes e o depois -, sem nunca perder de vista a sua origem. É este olhar, que vê para além daquilo que lá está, que enriquece a perceção do lugar e que só é possível por ainda haver registos inscritos nas ruas e casas que nos levam a pensar sobre como tudo aconteceu. São estes indícios que possibilitam uma leitura mais abrangente, que tornam aliciante participar nesta viagem. Portanto, fica aqui o convite para em conjunto descobrirmos Montalvão.