O autor, numa escrita verosímil de sobriedade e transparência, e com breves episódios, ocorridos entre
o campo e a cidade, conduz o leitor, em crescendo de curiosidade à forma como o homem, enquanto ser
existencial, caminha ao alcance do Recuperador de Tempo.
Através do protagonista da obra, Osvaldo, que ofuscado por um passado de vivências de leviandade, vive
o presente, numa luta constante, reavendo o tempo perdido, em seu benefício e do meio que o circunda.
Paulatinamente, em contacto com a natureza e com as pessoas que lhe são fiáveis, abandona o mundo de
futilidades, outrora por ele adotado, e consegue pôr em prática, com atitudes e comportamentos fidedignos,
alcançando o tão desejado "Recuperador".
Osvaldo "não recupera os tempos de juventude, física e irreverente, mas o seu espaço temporal de equilíbrio
(…) alguém superior no universo lhe desobstruíra o caminho da vida terrena, tendo apenas de seguir os sinais
de corpo e alma. Ladeado de pessoas que lhe queriam bem, construiu um mundo à sua medida, eximo a
entraves de uma vida plena."
Valera-lhe, deveras, o conselho do amigo nórdico: "Não vale a pena perder tempo com coisas que não
chegam a ser coisa alguma."