Numa encosta vinhateira do Douro, lá para os lados do Peso da Régua, vivia Joaquim Duarte, de lavouras tristes e pouco rentáveis. Homem de boa constituição física, moreno, estatura alta, de cabelos negros e olhos castanhos avelã que penetravam num horizonte de um dia tentar uma vida nova no Porto. Os pais, bastante idosos, já o fecundaram em idade tardia, sendo este o seu único filho.
Joaquim, obrigado a uma campanha militar em África ao serviço do Estado Novo, viu, ainda assim, uma oportunidade para conhecer mundo e uma tentativa de escapar à vida difícil da agricultura. Escapou da vida difícil, mas não das saudades da metrópole e dos pais.
Depois dos três anos de campanha ultramarina, voltou para as terras agrícolas dos seus pais que já não as podiam trabalhar, devido à idade avançada. Tinha alguns socalcos de vinha para tratar que lhe dariam algumas pipas de vinho, mas o rendimento líquido era muito pouco. Mesmo com a cooperativa da Casa do Douro, a vindima dava pouco dinheiro. Os pequenos vinicultores, ainda que juntos, não tinham os mesmos meios das grandes quintas e com a Europa a passar pelo período da Guerra Fria, as dificuldades eram muitas.
Um dia, cansado daquela vida pobre, resolveu vender as suas terras, aquando da morte dos pais e rumou até ao Porto, com o sonho de uma vida nova e de melhor qualidade.