«A infância não é um território fechado.
A infância não passa; reorganiza-se, infiltra-se, assume formas mais discretas, mais aceitáveis, transforma-se em escolhas amorosas inexplicáveis, em silêncios no meio de conversas banais, em medos que não sabemos nomear.
A infância é um sistema operativo invisível que continua a correr.
Este livro parte daí: o que se passa na infância não fica na infância.
A infância não é um lugar onde deixámos de estar; é uma estrutura. a nossa estrutura.
Este livro, tão fácil quanto complexo, faz-nos olhar para lá. Todas as salvações começam em olhar para lá.
Fomos moldados antes de termos linguagem suficiente para protestar.»
In Prefácio Pedro Chagas Freitas