Estas páginas, agora propostas na nossa língua,
trazem-nos alguns temas e núcleos de pesquisa e
interpretação da arte musical de dois dos mais
insignes musicólogos do século XX. Não se trata apenas
de opiniões esparsas de carácter histórico, mas
sobretudo de um juízo estético multiforme e
polarizado em que se manifesta, por um lado, o seu
profundo conhecimento do devir temporal da música
europeia e, por outro, também a sua grande
familiaridade com o pensamento filosófico, que os
dois sabem explorar e aproveitar na fundamentação
da sua concepção da arte dos sons. A pergunta, que se
espraia ao longo destas páginas, não recebe uma
resposta definitiva; é um convite a mantê-la viva.