O príncipe D. Afonso (1475-1491) foi o único filho do matrimónio que uniu
D. João II à rainha D. Leonor. Alto, louro, com a pele branca, os olhos vivos
e um ar viril, era, ao mesmo tempo, um jovem afável, modesto, piedoso,
liberal, cultíssimo e sisudo, para além de brando e delicado, características
que desagradavam profundamente a seu pai. Por outro lado, apreciava
divertimentos típicos de alguém da sua condição social, como a montaria, a
natação e o páreo.
Nasceu quando se estava a iniciar uma guerra entre Portugal e Castela. Aos
cinco anos, quando a paz chegou, acompanhada de desconfianças mútuas,
viu-se arrastado para uma inusitada situação de refém, em que permaneceu
durante três anos. Aos 15 anos, uma vez mais como penhor da paz, desposou D. Isabel, filha dos reis de Castela e Aragão. Aos 16, oito meses volvidos sobre esse casamento, que pode mais ser visto como uma prolongada lua-demel, morreu, de forma inesperada, súbita e trágica, causando um profundo desgosto aos pais, à mulher e ao Reino em geral. A sua vida, por ter sido tão curta, tem qualquer coisa de meteórica. Mas, ao mesmo tempo, os acontecimentos em que se viu envolvido parecem demasiados para tão poucos anos e, simultaneamente, pesados demais para tão tenros ombros. Só lhe faltou ter gerado um filho, o que cronologicamente teria sido possível, e teria evitado um problema sucessório a Portugal.