… Todos somos do Porto ou, pelo menos, todos fomos do Porto alguma vez na vida…
Vasco Graça Moura
O Porto, para mim, na clareza lapidar e fulgurante de Sophia, é "a pátria dentro da pátria". Aliás, a mim, basta-me ser do Porto para
ser português. Relação pessoal e íntima esta minha com o Porto, de tão antiga, amorosa e tormentosa, como a de um velho casal, atravessada
de memórias e afectos, de cumplicidades e partilhas, de exaltações e desilusões, de encantos e desencantos. Tenho sempre, desde
sempre e até sempre, um sentimento de pertença ao Porto, sustento da minha identidade, vincado pelas razões do coração, e que a razão
reconhece. A identidade, por vezes, terá de ser convulsiva ou não será. A identidade é a história e esta, sobre ser uma continuidade, é uma
impaciência. E o Porto é o lugar primeiro e cimeiro da "minha aparição a mim próprio" [Vergílio Ferreira]
Miguel Veiga