Obra-prima da arte de vanguarda russa e ponto alto da produção teatral de Maiakóvski, a comédia fantástica O percevejo - redigida no final de 1928 e encenada no ano seguinte - assinala também um ponto de inflexão na trajetória do poeta. Neste texto, o entusiasmo de Maiakóvski com a Revolução de 1917 dá lugar a uma visão crítica do futuro do socialismo, expressa numa sátira contundente que mistura temas jornalísticos, jingles publicitários, mitos pessoais, canções, política, amor e ficção científica. Apesar do sucesso da peça, a montagem original de O percevejo - com cenários de Ródtchenko, trilha sonora de Shostakóvitch e direção de Meyerhold - foi duramente criticada por dirigentes partidários que acusavam Maiakóvski de ser formalista e pouco didático, o que contribuiu para o desgaste do poeta, que cometeria suicídio um ano depois, em 1930. No Brasil, a peça foi traduzida e, em 1981, levada ao palco por Luís Antonio Martinez Corrêa. É esta tradução - revista por Boris Schnaiderman, também autor do posfácio e de uma cronologia sobre a vida e a obra do poeta - que agora é oferecida ao leitor, enriquecida com um texto inédito em português do próprio Maiakóvski sobre O percevejo.