Eugénio Lisboa deixa de parte qualquer espécie de idealismo, como quem caminha para um tempo de decomposição final, sintetizando, assim, as deformidades e vícios não só da natureza, mas de um mundo à deriva. A história, mesmo a pessoal, também é aquilo que já não vemos - ou deixamos de ver - à nossa volta. Esta dir-se-ia a sabedoria deste livro, a de denunciar, contida e acutilantemente, a hipertrofia do Homem. Com a certeza de que só seremos «completos» quando nos reconhecermos em alguns dos seus assombros. Nos assombros de uns poucos argonautas.