Ao encenar imitações da vida emocional, a tecnologia converte emoções em lucros extraordinários para uma minoria.
A tecnologia é convencionalmente vista como desumanizante. No entanto, como Eva Illouz demonstra neste livro conciso, a tecnologia tornou-se singularmente emocional, explorando e suscitando continuamente uma grande variedade de emoções. Desde emojis, GIF e «Gostos», até influenciadores, aplicações de meditação e mundos virtuais, a tecnologia imita e amplia cada vez mais a vida emocional, convertendo sentimentos em dados quantificáveis e gerando lucros extraordinários. O tecnocapitalismo extrai valor do eu e da subjetividade, transformando a energia emocional em capital. Esta intimidade maquínica entre humanos e tecnologia integra economia, cultura e psicologia numa única matriz, fazendo das emoções os novos canais económicos do tecnocapitalismo.
A emocionalização da tecnologia tem efeitos profundos: a perda da experiência, a solidão preenchida por interações e lazer vividos por outrem e a substituição da realidade pela performance da autenticidade. Através de uma variedade de exemplos, Illouz explora os mecanismos através dos quais o eu emocional se tornou o principal recurso económico do capitalismo, um mundo em que os nossos sentimentos passam pelas máquinas e são por elas fabricados, medidos e vendidos.