«O Factor Humano, de Nuno Martins é um retrato lúcido e substantivo de uma geração que não é de esquerda nem de direita, mas de Centro Comercial, diz-nos o autor com acutilante humor, para logo citar Gramsci em mais séria análise: Eu odeio os indiferentes. Este livro é, assumidamente, contra a indiferença, um corajoso manifesto contra o cinismo e o oportunismo que estrangula os nossos dias, contra a civilização das desigualdades, que tudo desbarata em nome de um único e desumano objectivo: alcançar o poder e submeter o Outro, os Outros, tirar vantagem de uma função que já foi nobre, que já esteve nos sonhos dos homens que fizeram Abril, que lhe abriram as portas e as janelas da claridade e da lisura: o poder como essência ética, como modo de servir o bem-público. O Cinema, o Teatro, a Música e a Literatura, preenchem este discurso que desbrava os contornos ideológicos de uma geração (a que tomou Partido) e os seus referentes culturais. Ser ideologicamente neutro é uma insídia, uma imponderabilidade. Vivemos sob o signo e os limites das nossas opções e somos por elas perseguidos e condicionados: tomar partido e aguentar, como dizia o nosso querido Manuel da Fonseca. Viver é prosseguir um desígnio e esse só pode ser um, digno e justo: tentar transformar a realidade abjecta que nos cerca e ultraja - mudar o mundo. As actuais guerras em curso, consequência do desespero do Império em querer manter um monopólio ideológico e económico em vias de perder-se (e de que Muammar Kadafi foi uma das primeiras vítimas), estão a destruir, a nível global, os alicerces de um são convívio entre nações, dos seus direitos à liberdade, à autossustentabilidade, ao respeito pelas suas opções económicas e políticas, à segurança e bem-estar dos seus povos.»
In prefácio Domingos Lobo