O talento desenvolve-se no amor que colocamos no que fazemos. Talvez até a essência da arte seja o amor pelo que se faz, e como se fá-lo.
Na arte só vive e sobrevive o que continuamente dá prazer e todos o segredo da arte é, talvez, saber ordenar as emoções desordenadas, mas ordená-las de tal forma que se faça sentir ainda melhor a desordem do amor através do erotismo. O objecto que amamos parece-nos sempre mais belo do que é. No amor, como no erotismo, a objecção, o desvio a desconfiança alegre, a vontade de brincar são óbvios sinais de saúde, física e espiritual. Em tudo o que é absoluto, é sempre importante percebermos o seu significado.
Os homens mais novos não entendem o erotismo. Até aos quarenta, caímos sempre no mesmo erro, não sabemos libertar-nos do amor: um homem, em vez de pensar numa mulher como complemento de um sexo, pensa no sexo como complemento de uma mulher.