Em O amor é mais frio que o capital (2005) Pollesch pergunta-se o que ainda se pode dizer quando se é suficientemente decadente e autocrítico para desconfiar de todos os "ismos" e ideologias. Haverá uma vida verdadeira no falso? Será que ainda podemos argumentar moralmente? Os caminhos deste texto passeiam por questões como a impossibilidade ou dificuldade da resistência linguística ou as narrativas que organizam um mundo capitalista, tornando invisível e escondendo uma estrutura, modo de funcionamento ou policiamento (uma "máquina de impressionar") que Pollesch procura desenterrar sem fugir aos conflitos e rejeitando as tolerâncias, as sintonias e os confortos.
Em Um coro engana-se redondamente (2009), a actriz Sophie Rois debate-se com as exigências hegemónicas, reclamando, inspirada por um livro de Boris Groys, uma recuperação do comunismo para o teatro, para as relações e para a comunicação. A isto se junta, quase por contágio, uma contraproposta polimórfica de relação amorosa (o amor de um "coro"), exigências várias de comunicação consecutivamente sabotadas por desentendimentos linguísticos ou por entradas imprevisíveis de personagens que não se anunciam nem denunciam ou a exposição de clichés de identidade nacional. Uma comédia operática em permanente fuga a qualquer definição.
René Pollesch descreve o ponto de partida para Olho-te nos olhos, contexto de ofuscação social (2010): "a sociedade, tal como aparece descrita em Corpus e Ser plural singularmente de Jean-Luc Nancy. Portanto, rejeitar as bases da sociedade que são por exemplo os pressupostos para estarmos sentados numa sala de espectáculos." Um texto escrito para o actor Fabian Hinrichs que confunde intimidade com espectáculo, perguntando consecutivamente que relação se estabelece entre o actor e o espectador na exposição do pensamento que é este texto.