DESCRITORES
Via férrea / Infra-estrutura ferroviária / Novas tecnologias / Comboio de alta velocidade
As crescentes exigências impostas ao transporte ferroviário e a necessidade de o tornar num sistema de transporte mais competitivo têm levado ao
desenvolvimento de novas soluções de via-férrea. Estas novas soluções constituem inovações tecnológicas de via-férrea que diferem da via balastrada
tradicional na utilização de diferentes materiais e métodos construtivos. Apostam fortemente na redução da necessidade de conservação e renovação da
via, o que se traduz na diminuição dos custos associados à sua operação, assim como no aumento da disponibilidade da linha.
Assim, estas soluções apresentam uma melhor resposta a velocidades de circulação cada vez mais elevadas e a maiores volumes de tráfego, que tendem
a conduzir a maior deterioração da via e a consequentes maiores custos de conservação e renovação. Em comparação com a via tradicional, estas
soluções podem ser mais vantajosas, no que se refere à segurança, a aspectos ambientais, à gestão da operação e a custos globais, quando se considera
o ciclo de vida da infra-estrutura.
Embora estas tecnologias tenham vindo a ser testadas e aplicadas em alguns países, desde há várias décadas, em particular no Japão, só mais
recentemente diversos países demonstraram especial interesse pela sua aplicação. Face a estas vantagens, tem-se verificado actualmente uma crescente
tendência para a adopção destas novas soluções, sobretudo para as linhas de alta velocidade, particularmente na Europa e Ásia oriental.
Dentro deste contexto, e tendo em conta a previsível integração de Portugal na Rede Europeia de Alta Velocidade, desenvolveu-se o presente estudo com
o objectivo de apresentar diversas soluções de via-férrea que estão disponíveis e compará-las com a solução tradicional de via balastrada.
O estudo incide na descrição de concepções de via-férrea não tradicionais, como a via sem balastro e a via de apoio misto, fazendo-se especial referência
às principais vantagens e desvantagens da via sem balastro, face à solução tradicional de via balastrada, e à experiência da sua aplicação.
Apresenta-se ainda uma síntese da situação actual da aplicação destas novas soluções em países que apostaram fortemente nas redes de alta
velocidade.
Do estudo desenvolvido conclui-se que, para novas linhas de alta velocidade, estas soluções podem ser bastante atractivas, como alternativa à via
balastrada tradicional.
Os autores agradecem a todas as entidades e pessoas a título individual a autorização expressa para a publicação das ilustrações apresentadas neste
estudo, encontrando-se estas devidamente referenciadas.