Heleno é assíduo. Já o era no Nordeste, é-o agora em
São Paulo. Dramaturgo de ofício, patrulha palcos e
esquinas, dois lados da mesma ferida, estreando peças e
folheando rapazes. Um fê-lo chegar, outro fá-lo-á partir. É
assim, a metrópole. Uma urgência venérea.
Os
sentimentos desarrumam-se-lhe então, mordentes,
quando a morte, a única (im)possível, faz contas à vida.
Com Cícero era diferente. O boy entranhara-se-lhe.
Matou-o a cidade, com a sua perfídia febril, mandou-o ao
chão. Cada um morre como pode. Heleno, devoluto, viaja
com o corpo para o seu Nordeste, o seu e o de Cícero, na
promessa dolente de devolvê-lo aos pais.
É esta a
autopornografia de Freire. Uma noite pela mão, estrada
fora, saciada de nada e de lugar algum.