Névoa na Sala é um romance que nasce da zona mais densa da experiência humana: a memória ferida, o corpo em estado de guerra, a consciência atravessada pela culpa e pela sobrevivência.
Vencedor do Prémio Mia Couto 2025, este livro afirma-se como uma das obras mais radicais e singulares da literatura contemporânea em língua portuguesa. Construído a partir de uma escrita de alta intensidade, o romance organiza-se em vozes que não se sucedem de forma linear, mas se interpenetram, como camadas de uma mente em permanente confronto consigo mesma. Guerra, internamento psiquiátrico, violência, amor e loucura não surgem aqui como temas, mas como matérias orgânicas da linguagem: tudo é corpo, tudo é respiração, tudo é ferida aberta.
Escrito a partir de uma experiência africana da violência e do desamparo, histórica, política e íntima, Névoa na Sala recusa qualquer forma de exotismo ou reconciliação fácil. Entre monólogos dilacerantes e poemas inscritos nas paredes de um espaço fechado, o livro constrói uma cartografia implacável do trauma, onde o amor surge simultaneamente como abrigo precário e força destrutiva.
Esta é uma obra que transforma a memória traumática num gesto literário de rara verticalidade ética, capaz de confrontar o leitor com aquilo que resiste à linguagem — e, ainda assim, exige ser dito. Névoa na Sala é impossível de ignorar — e impossível de esquecer.