Numa época em que a escola assume funções de substituição e de compensação social, numa época em que os pais não têm tempo para os seus filhos e, demasiadas vezes, não conseguem acompanhá-los nem penetrar no complexo mundo que eles habitam, esta franja etária está demasiadas vezes entregue a si mesma, oscilando numa terra de ninguém entre o proibido/socialmente indesejável e o permitido. Procuram modelos, mas estes não são os heróis clássicos, nem princesas adormecidas, nem príncipes valentes, nem figuras da história recente que tenham mudado o mundo positivamente. Como jangadas sem leme, inúmeros jovens seguem ao sabor da corrente, num contexto onde a violência se encontra normalizada e os toca quotidianamente.
Por outro lado, as famílias mais bem-intencionadas procuram a felicidade dos seus filhos, procuram corresponder aos seus desejos, assumem pontualmente a proa em sua defesa - contra a escola, contra as regras -, desculpabilizando-os à partida e oferecendo-lhes tudo ou quase tudo o que podem.
A abordagem que proponho difere. Talvez os adultos possam fazer alguma coisa, mas, na sua grande maioria, o conflito interno que os jovens vivem não se prende directamente com os adultos. É claro que há situações em que os adolescentes vivem relações de tensão com os pais ou com aqueles que são os responsáveis pela sua educação. É claro que há situações limite de violência, de alcoolismo, de abandono… tudo isso é verdade.
Mas essa não é toda a verdade, nem estes lamentáveis fenómenos explicam tudo — talvez não expliquem sequer uma boa parte do que acontece emocionalmente aos adolescentes.
Que dizem os jovens de si mesmos? Como se veem? Como se comparam com os outros? Como reagem perante a frustração? Que modelos perseguem?