Na Linha da Pobreza narra a história de vida de Rosa, uma mulher cravada com o anátema da inteligência e da lucidez, que se divide entre a pureza dos sentimentos amorosos e as pulsões irresistíveis do corpo e do prazer, num ambiente social atávico e mesquinho.
O livro retrata a condição social e cultural da pobreza «numa ilha da costa africana do Atlântico», no dealbar da Revolução de Abril e as suas vicissitudes, a miséria, a ignorância, os preconceitos, a iniquidade, o peso da Igreja e o seu conúbio com o poder, a pedofilia e o abuso calculado dos filhos de ninguém, e a esperança corporizada pela democracia em ascensão.
Através da lente de um narrador interventivo, a descrição pormenorizada e despudoradamente crua e chocante da história confronta-nos com a revelação do sexo e do poder como as principais pulsões da natureza humana, embora no universo interior de Rosa só o amor dê sentido à vida.
Na Linha da Pobreza perpassam as angústias e as inquietações existenciais mais profundas, retratadas com uma veemência verbal singular, reveladoras da mestria narrativa do autor e da sua versatilidade literária.