O Museu de Arte Popular e o discurso etnográfico do Estado Novo.
Foi profícua a fundação de museus de etnografia durante o período do Estado Novo.
Com a Exposição do Mundo Português e o chamado Plano dos Centenários, desenvolvido a partir de 1937, surgiu a ideia, proposta por Luís Chaves, de criar museus regionais nas capitais de Distrito, com o intuito de guardar as memórias locais. Com o mesmo propósito, foram criados, ao longo da década de 40, pequenos museus rurais, nas Casas do Povo, que se desenvolveram um pouco por todo o país. A proximidade destas instituições às populações não foi descurada, aproveitando-a para enaltecer um ideal rural. Tudo isto, enquanto nascia na capital o Museu de Arte Popular, com raízes na grande exposição de 1940. A obra Museus para o Povo Português tenta reflectir a componente ideológica que o Estado transportou para a criação deste tipo de museus, tomando o Museu de Arte Popular como referência e a etnografia como elemento de união de todo o povo português, com diferenças, mas também com vários traços comuns nas crenças, na religião e nos costumes.