Este livro apresenta uma investigação que versa sobre diversos modos de
relação entre jovens do 3.º ciclo da escolaridade obrigatória e museus de arte
contemporânea. Através de quatro estudos de casos, foi possível verificar
que os jovens reclamam por práticas mais participativas do que aquelas que
tradicionalmente a escola e os museus lhes oferecem. O cumprimento do
currículo e as imposições programáticas dos museus constituem constrangimentos
à criação de relações pedagógicas entre museus e escolas.
Além disso, a legitimidade para ensinar está ainda muito centrada na
figura docente ou de quem dinamiza as visitas nos museus, enquanto
aos estudantes é atribuído um papel essencialmente subordinado.
É a escola que aprende com o museu, sendo muito raramente
criadas oportunidades para que o museu aprenda também com a
escola. Contudo, a forma como as professoras e as educadoras
de museu encaram o conhecimento, a aprendizagem e a arte
contemporânea é determinante para o modo como os estudantes
aprendem. Se aos jovens for dado um espaço participativo
e de autoria na relação com o museu, isso permitirá
a criação de propostas alternativas às macronarrativas,
sejam estas provenientes dos museus ou mesmo da
própria escola tradicional que perpetua a ordem social.
No caso da investigação que aqui se expõe, foram as
propostas alternativas concebidas pelos jovens que
lhes proporcionaram a realização de aprendizagens
dotadas de sentido.