«Mundandar é o atlas poético-afetivo do percurso de António Augusto Menano. Sem dúvida, naquele sentido em que assinala lugares de eleição, percursos, aventuras, cumplicidades em muitas latitudes e longitudes - os lugares que os viajantes gostam de dizer que conhecem. Mas, acima de tudo, nesse outro sentido concentrado na epígrafe de Paul Valéry: "Há em nós algo de semelhante ao que nos ultrapassa".
Mundandar, este mais recente livro de António Augusto Menano, é uma obra que, de certa maneira, já estava prometida aos seus leitores.
Desde a publicação, em Tempo Vivo (1963), de um breve ciclo intitulado Viagens, a temática instalou-se no centro deste itinerário poético.
Desenvolveu-se, depois, num duplo registo: a viagem que existe em mim, uma viagem que eu sou, o trabalho que o indivíduo precisa de fazer sobre si próprio para se tornar, finalmente, o que é; e uma outra viagem que precisa (ou requer) que essa construção de subjetividade ocorra pela mediação efetiva das diferenças (geográficas, culturais, sociais) que só o direto conhecimento do mundo pode proporcionar. [...]"»
António Pedro Pita.