A leitura dos poemas deste livro não traz respostas, não oferece salvação, impossibilidade própria dos poemas.
Como um cão de verdade, os poemas deste livro às vezes querem morder, às vezes querem lamber, sabendo que as metáforas estão suadas.
Querem, como Sherazade, passar as noites com palavras, sabendo que Sherazade morreu.
Querem a severidade dos Pink Floyd e a divina voz de Gérard Lesne para criar uma Cold Song, sabendo que os tempos não são de Pink Floyd e que a Cold Song já foi feita de gelo e de génio.
Numa intimidade natural, querem cair como as tardes langorosas, mas resistindo porque os poemas não são naturais.
E confessam sigilos pedindo segredo, coisa própria dos poemas.
No século XXI, a poesia dita ou lida agoniza, talvez porque ao nascer já terá dado a sua última respiração.