«Estava mergulhada naquele espaço, num dual entre a medicina e a arte, a absorver em silêncio cada momento que vivia e despertava os meus sentidos, em redor de uma inspiração maior, a luta pela sobrevivência.
Recatei-me por detrás da minha câmara e registei o imenso cenário, desdobrado em diferentes paletes sobre o mesmo palco e onde nos bastidores corria a força por entre uma azáfama bem orquestrada, onde cada um se desdobrava ininterruptamente na profunda missão que lhes corria na alma, de quem está de corpo inteiro para agarrar a vida, entre vidas que deambulavam no limbo entre a noite e o dia, entre o grito da dor e o alívio solene desta, na transformação da expressão de sofrimento num semblante de paz e de esperança contida, até no pousar de cada mão no leito.
Este era o imenso argumento da minha narrativa, extraída do palco que veementemente vos trago aqui.»
Clara Ramalhão