«Sob o olhar de Clara, a areia ganha uma outra verdade: ela torna-se viva, nómada, eternamente errante. Estas imagens foram feitas não apenas para a viagem. Estes quase desertos estão povoados de vozes e nós escutamos os nossos pés afundando-se na areia solta. Tudo se desenha e se redesenha com pinceladas de tinta seca, tudo se molda na dureza do Sol e do vento. E parece não ter nunca havido gota de chuva que tombasse sobre estes corpos. Árvores, pessoas e chão alimentam-se do excesso de luz e de céu.»
Mia Couto