Memória e Arte de contar em Manuel da Fonseca apresenta-se como uma
viagem ao universo ficcional do autor, através da análise de dois volumes de
contos, Aldeia Nova e O Fogo e as Cinzas. Procura descortinar os mecanismos da escrita que o tornam uma voz única na arte de narrar, à maneira de um contador de histórias, tecendo as suas narrativas em jeito de conversa como se se
encontrasse na presença física de um ouvinte.
Esta figura do contador desenha-se de maneira convergente a partir de três
ângulos de visão: a estrutura narrativa dos contos; a metalinguagem de Manuel
da Fonseca sobre a sua forma de contar, visível em entrevistas várias e nos
prefácios dos seus livros e, finalmente, as personagens dos contos enquanto
contadores de histórias.
É, de facto, esta humanidade descrita pelo autor, velhos e jovens presos à
memória do passado e de olhos cegos para a realidade que os cerca, que ao
desfiar memória constrói uma mise en abîme da arte de narrar de Manuel da
Fonseca, tornando-o um autor entre a tradição e a modernidade, atento ao seu
tempo e guardião daquilo que é intemporal na arte de contar histórias.