Este é um livro de desencanto, palavras convocadas pela autora de Memória do Esquecimento, longo
tempo depois de ter sido forçada a abandonar Angola, em Setembro de 1975, na ponte aérea que
garantiu o transporte de milhares portugueses de Luanda para Lisboa.
Se o tempo é o nosso pior inimigo, frase bem conhecida de Albert Camus, talvez se possa compreender melhor como qualquer esquecimento só acontece ao certo quando nos for possível ou inevitável dissipar partes da memória, ou toda ela. Mas, tanto quanto podemos avaliar, os acontecimentos narrados neste livro situam-se num tempo e num espaço onde, além de memórias do real, há também, ou sobretudo, referências a factos verdadeiros.