"O Homem, através da sua insaciável conquista de verdades, que é que tem conseguido? Desfazer ilusões, desfazer ilusões, desfazer ilusões. Desmanchar ilusões é reduzir o coeficiente de felicidade e por consequência diminuir a possibilidade de chegar à terra prometida... ou desejada. O Homem só adquire a verdade à custa duma desilusão (...).
A última verdade será a que nos desmanchar a última ilusão, a ilusão da imortalidade.
No dia em que o Homem, assassinada a última esperança pela última verdade, adquira a certeza de que a sua passagem na terra é um traço efémero, e que a sua sede de eterno é um desejo perdido e vão; nesse dia trágico, em que o Homem tenha de renunciar à sua loucura de absoluto... já se sabe, D. Quixote também ficou cuerdo... para morrer. Para o suicídio! não será afinal este o sentido da vida, da vida humana, pelo menos? Talvez, talvez."
Manuel Laranjeira
[Carta endereçada a Miguel de Unamuno, de 11 de Dezembro de 1908]