Manuel Laranjeira foi um homem da ciência interessado pela arte, literatura, teatro, pedagogia, poesia... Ou como ele se sentia, "Médico por profissão, mas não por vocação" que ama a "vida através da ficção, e detesto-a através da realidade". Foi um intelectual de vasta cultura e amplo conhecimento.
Quer fosse ou não fosse coerente, tivesse ou não tivesse razão, empenhava-se nos combates que travava e aceitava as suas consequências. Quando se pronunciava não falava por ouvir dizer, mas sim porque possuía um amplo conhecimento alicerçado na tradição intelectual do ocidente e nos principais movimentos culturais da sua época, em particular, no positivismo mecanicista que adoptou.
Mesmo a sua vida amorosa, que na época não estava de acordo com um homem da sua posição social, parecia revestir exteriormente um deliberado assentimento pessoal que também costumava ser raro em casos semelhantes.
Laranjeira foi um existente com uma vida curta e dilacerada a partir da sua interioridade, mas que, apesar de tudo, do ponto de vista social e do empenho pessoal nas causas em que acreditava, mostrou sempre uma dignidade inexcedível, tão rara neste país.