Pode um autor expor as motivações subjacentes à escolha de determinado título para obra sua ou tão-só deixá-las implícitas no que escreve, numa espécie de convite ao leitor para que as tente descobrir.
Madrugada, além de sugerir, de forma clara, a íntima relação entre esse título e os vários textos serve-se dele como ideia dominante num conjunto de narrativas breves onde dominam a memória, o tempo, a luz e as sombras de que são feitos a vida e os sonhos, a madrugada e o claro dia.
E, por fim, o comprazimento na literatura, forma de cultura e arte de sobrevivência, onde Susana Almeida Rodrigues gostosamente se situa como autora e como leitora.
(Adaptado de Prefácio de Rosa Maria Goulart)